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Opinião

Uma contribuição decisiva para o futuro

Edegar da Silva

Quando em 1972 iniciei minha vida como técnico agrícola, nem poderia supor que teria a oportunidade de participar de uma das maiores revoluções ocorridas na agricultura do Rio Grande do Sul e do país.

Naquela época ainda estava convencido do que havia aprendido na Escola Técnica de Agricultura de Viamão: quanto mais bem preparado o solo agrícola, melhor é o desenvolvimento das culturas e consequentemente maiores serão as produções alcançadas.

Em 1974, fui contratado pela Companhia Imperial de Indústrias Químicas do Brasil e comecei a atuar inicialmente no Rio Grande do Sul, o que depois foi expandido para os estados de Santa Catarina e Paraná.

Em 1976 iniciei minha atuação na região do Planalto Gaúcho que à época estava enfrentado um enorme desafio: a expansão nos cultivos de soja, trigo e outras culturas geravam perdas imensas com a erosão dos solos.

Imagens comuns à época eram as extensas bossorocas, os rios barrentos, as lavouras afetadas drasticamente pelas enxurradas, enfim, a poluição desenfreada.

Uma das tarefas que me foram atribuídas, inicialmente com a expectativa de obter dali ganhos comerciais para a empresa, foi a de trabalhar pela utilização do plantio direto.

Em seguida o que era uma tarefa profissional virou para mim e outros colegas uma paixão de vida e ao trabalho em prol do plantio direto nos dedicamos diuturnamente. Tínhamos fé e fomos persistentes diante de todas as dificuldades que enfrentamos.

Uma delas, diga-se de passagem, foi a tarefa de enfrentar a descrença de agricultores, técnicos e ecologistas à época, que acreditavam ser o plantio direto apenas uma forma de vender mais adubos e pesticidas.

Muitos eram até agressivos com os que defendiam o uso e apontavam o futuro do plantio direto porque afinal, era difícil compreender como se poderia fazer agricultura sem revolvimento do solo, sem lavração.

Até então as escolas agrícolas, as faculdades de agronomia e os serviços de extensão rural como um todo, sempre apregoaram que o solo deve ser bem lavrado, a terra deve ser pulverizada ao máximo possível para propiciar o bom desenvolvimento das raízes das plantas.

Hoje, só no Rio Grande do Sul são mais de cinco milhões de hectares de área cultivada sob plantio direto. Pelo fato de não haver mais a lavração, isso representa uma redução de consumo de mais de 200 milhões de litros de óleo diesel por safra. No Brasil esta economia já é de mais de um bilhão de litros.

Há outros dados fantásticos em favor do plantio direto: a perda de terras agrícolas pelo erosão que era de 22 a 23 toneladas de solo por hectare nas décadas de 1970 e 1980, hoje não passam de três toneladas, ou seja foram reduzidas em mais de 90%.

Seria possível falar ainda na enorme agregação de matéria orgânica nos solos pela manutenção da palhada e outros restos de cultura: na enorme melhoria na qualidade das aguadas que ficam livres do assoreamento e na melhoria das condições de todo o ecossistema com mais equilíbrio para a fauna silvestre.

Não seria pretensão certamente, nem exagero nenhum, dizer que a agricultura de produção de grãos gaúcha e brasileira está viabilizada do ponto de vista ambiental e econômico pela utilização do plantio direto na palha.

 

Edegar da Silva - Técnico Agrícola e Jornalista

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